Atividade reuniu cerca de 20 lideranças do Território Wayamu e vizinhos para discutir o uso integrado de geotecnologias na vigilância indígena

Texto: Angélica Queiroz

Interpretação de imagens de satélite e produção de mapas rápidos estiveram entre os assuntos abordados na atividade (Foto: Mayana Pontes – Conservation Metrics)

A vigilância e a proteção territorial são fundamentais para garantir os direitos dos povos indígenas e a integridade de seus territórios. No Território Wayamu, essas ações integram um dos eixos do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) unificado. Como parte desse esforço, o Iepé apoiou a Associação do Povo Indígena Wai Wai (APIW) na realização de uma capacitação voltada à vigilância territorial e ao monitoramento integrado de pressões e ameaças.

A atividade aconteceu entre os dias 22 e 26 de julho de 2026, na aldeia Jatapuzinho, em Roraima, na Terra Indígena (TI) Trombetas-Mapuera. A formação reuniu cerca de 20 lideranças e representantes das equipes de vigilância da União do Território Wayamu, das UTs Alto Jatapu-Jatapuzinho, Mapuera, Nhamundá-Baixo Jatapu e Trombetas-Cachorro-Turuni, além de integrantes dos grupos de vigilância das TIs Wai Wai e Waimiri-Atroari.

Atividade reuniu lideranças, equipe de vigilância e parceiros na aldeia Jatapuzinho (Foto: Mayana Pontes – Conservation Metrics)

Além da equipe do Iepé, a formação contou com o apoio de profissionais da Awana Digital, da Conservation Metrics e do Instituto Insikiran, da Universidade Federal de Roraima (UFRR). Entre os temas abordados estiveram a produção de bases cartográficas, a interpretação de imagens de satélite, a validação de alertas, o uso de drones, coleta de dados em campo com o CoMapeo, aplicativo voltado ao mapeamento e monitoramento territorial, além do uso do Guardian Connector, plataforma voltada à conexão e proteção de dados indígenas. Os dados coletados foram posteriormente integrados ao QGIS, software livre de geoprocessamento utilizado para organizar e analisar informações, além de produzir mapas e relatórios.

Indígenas aprenderam a dirigir drones em áreas cercadas por árvores, que exigem atenção extra e bom domínio do equipamento para operar minimizando riscos (Foto: Thomas Gallois – Iepé)

A formação contribuiu para ampliar os conhecimentos técnicos das equipes participantes e sua familiaridade com ferramentas voltadas à produção de informações qualificadas para o monitoramento e a proteção do Território Wayamu. A expectativa é que os conhecimentos e ferramentas apresentados apoiem a coleta e a sistematização contínuas de informações que subsidiam o Relatório Trimestral de Monitoramento Integrado de Pressões, Ameaças e Alertas do território.

A atividade também possibilitou, em conjunto com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a formalização de um ciclo de vigilância territorial e a elaboração de um esboço do Plano Bianual de Vigilância do Território Wayamu em conjunto com as TIs vizinhas Waimiri-Atroari e Wai Wai.

Turma recebeu certificados ao final da formação (Foto: Mayana Pontes – Conservation Metrics)

Como etapa final da capacitação, entre os dias 27 e 31 de julho, as equipes indígenas realizaram uma expedição de monitoramento  nos limites da Terra Indígena Trombetas-Mapuera, em conjunto com servidores da CR II Roraima/Funai, colocando em prática os conhecimentos e os instrumentos desenvolvidos ao longo da atividade.

Expedição foi oportunidade de colocar em prática os aprendizados da oficina (Foto: Karewa Junior Atroari)

A iniciativa contou com o apoio do Projeto Dabucury/CESE, por meio de uma proposta aprovada pela APIW no último edital. Pelo Iepé, a atividade contou com o apoio da Nia Tero, do Bezos Earth Fund e da Amazon Conservation.

Fonte: https://institutoiepe.org.br/2026/08/apiw-realiza-formacao-em-monitoramento-territorial-no-alto-jatapu/