Lideranças indígenas durante entrega do documento em Brasília. Foto: Caio Mota APROTEJA

Documento organizado em seis eixos busca unir povos originários, quilombolas e movimentos sociais em prol de um Brasil soberano e sustentável

Por Helena Corezomaé | OPAN

“O Brasil perdeu o rumo quando deixou de escutar seus territórios” é a frase que abre o manifesto “Nosso Território, Nossa Vida”, que foi entregue ao governo federal pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e suas organizações na última semana, em Brasília.

O documento propõe um projeto de país centrado na demarcação das Terras Indígenas, na participação popular, em uma economia sustentável e na união entre povos originários, quilombolas e movimentos sociais do campo e da cidade.

Organizada em seis eixos estratégicos, a proposta nasce do acúmulo de debates e das vivências nos territórios para apontar caminhos rumo à reconstrução da soberania nacional e ao respeito à autodeterminação dos povos.

De acordo com o coordenador executivo da APIB, Dinamam Tuxá, a iniciativa busca chamar a atenção do Poder Executivo para a urgência da pauta originária no debate sobre o desenvolvimento do país, ao mesmo tempo em que o movimento mantém a mobilização em Brasília contra a tese do Marco Temporal e os efeitos da Lei 14.701 no Supremo Tribunal Federal (STF).

“O nosso projeto de vida precisa da devida atenção do presidente da República. Entendemos que nossa contribuição para este debate sobre um Brasil soberano e próspero é fundamental e urgente. E mais uma vez, não tivemos a prioridade necessária por parte do governo”, ressaltou Tuxá, defendendo que a análise do tema pelo STF ocorra de forma presencial.

Dinamam Tuxá durante entrega do documento em Brasília. Foto: Caio Mota APROTEJA

O lançamento do manifesto coincide com um período crítico de julgamentos e votações na capital federal. No dia 7 de agosto, o STF retomou a pauta do Marco Temporal e seus impactos nas demarcações, além de analisar processos relacionados ao licenciamento ambiental e ao avanço do desmatamento.

Durante a cerimônia de entrega do manifesto “Nosso Território, Nossa Vida” ao governo federal, Dinamam Tuxá enfatizou que a proteção territorial é indissociável da manutenção da própria democracia brasileira.

“Democracias não são garantias permanentes; territórios não são mercadorias. A forma como um país trata seus territórios revela o tipo de soberania e de democracia que pretende sustentar”, afirmou o coordenador executivo.

Para Tuxá, em um cenário global marcado por disputas de recursos naturais, a proposta do movimento surge como uma contribuição essencial ao debate público.

O documento integra a Campanha Indígena de 2026, ação da APIB voltada a fortalecer a presença de lideranças nos espaços de poder e a engajar candidaturas no compromisso com os direitos territoriais.

A entrega do texto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva tornou a APIB o primeiro movimento social a apresentar uma plataforma propositiva ao candidato após a oficialização da sua busca pela reeleição.

A articulação reforça a posição adotada no Acampamento Terra Livre de 2026, quando os povos originários declararam apoio a Lula na defesa do campo democrático, mantendo a autonomia do movimento para cobrar a efetivação das demarcações como política central.

Segundo a APIB, a proposta não se limita ao calendário eleitoral e foi concebida para circular em aldeias, quilombos, periferias, universidades e espaços de organização popular.

Foto: Caio Mota APROTEJA

Fonte: https://amazonianativa.org.br/2026/08/12/onde-esta-o-futuro-do-brasil-manifesto-indigena-aponta-para-a-protecao-dos-territorios/