A Aty Guasu vem denunciando a utilização da PM para fins privados há anos. Cinco indígenas foram presos e dois terminaram baleados
“Mais um ataque que só reforça o uso da Polícia Militar como segurança privada pelos fazendeiros. Polícia despeja sem mandado”, diz liderança da Aty Guasu. Foto: Cimi Regional MS/Equipe Dourados
Por Assessoria de Comunicação – Cimi
Um novo ataque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul contra os Guarani e Kaiowá voltou a tensionar a disputa territorial no entorno da Reserva Indígena de Dourados. No último dia 19, em uma área sobreposta à retomada do tekoha – lugar onde se é – Aratikuty, cinco indígenas foram presos (leia mais abaixo) e dois foram atingidos por munição de impacto controlado, conforme o registro policial.
“Mais um ataque que só reforça o uso da Polícia Militar como segurança privada pelos fazendeiros. Polícia despeja sem mandado. Foi assim no Tapykora Korá, em junho, e vem sendo assim há bastante tempo. No Aratikuty (os fazendeiros) descumpriram os acordos, destruíram plantações e chamaram a polícia para nos atacar. Depois a polícia ainda diz que nós atacamos. A fazenda está sobreposta à nossa terra. Não somos a gente o invasor”, destaca uma liderança da Aty Guasu, a Grande Assembleia Guarani e Kaiowá.
Segundo relatos reunidos pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a comunidade vinha sendo alvo de intervenções policiais desde o último dia 17, quando equipes da PM chegaram ao local acompanhadas, segundo os indígenas, por pessoas ligadas à fazenda vizinha e sem mandado para qualquer intervenção de despejo.
A comunidade afirma que a retomada ocorreu depois que um agricultor teria passado com um trator sobre plantações cultivadas pelos indígenas, destruindo-as. Em resposta, famílias indígenas retomaram uma área que, segundo um acordo mencionado pelos moradores, seria considerada propriedade do agricultor. Os indígenas, contudo, contestam essa delimitação e afirmam que toda a área da fazenda está inserida no território tradicional reivindicado pelos Kaiowá.
Com a intervenção da Defensoria Pública, os indígenas feridos conseguiram ser encaminhados para atendimento de emergência
Na tarde do dia 17, por volta das 17h, quando as famílias estavam reunidas para o jantar, os indígenas relatam que policiais militares chegaram ao local acompanhados por homens ligados à propriedade rural e por máquinas. Segundo os relatos, retroescavadeiras foram utilizadas para destruir e enterrar os barracos e os pertences dos moradores. Entre os objetos soterrados estaria a mamadeira e o leite especial utilizado por um bebê com intolerância a outros tipos de leite. Os indígenas também relataram a presença de armas de fogo e afirmaram que algumas pessoas foram atingidas, embora sem ferimentos considerados graves.
“Outro problema é que se tornou comum a polícia chegar, sem mandado, e atirar no nosso povo. Isso é tratar como animal. Nem animal a gente pode tratar assim. Toda vez é tiro, prisão, acusação falsa. São dez, 15 e não sei mais quantos respondendo processo na justiça, fora os que tomaram tiro de bala de borracha”, denuncia a liderança da Aty Guasu.
Como ocorreu em outras ocasiões, caso dos ataques de 2020, maquinário agrícola é utilizado para perpetrar agressões. Foto: Cimi Regional MS/Equipe Dourados
Na manhã seguinte, dia 18, a entrada de mantimentos aos Kaiowá e Guarani foi impedida pela presença de policiais e de homens ligados à fazenda. Uma liderança indígena precisou sair da comunidade para receber as cestas. Na manhã do dia 19, diversas viaturas da Polícia Militar acompanhavam uma retroescavadeira abrindo uma grande vala entre a área ocupada pelos indígenas e a fazenda. A escavação ocorreu no mesmo contexto de novos disparos e uso de balas de borracha. Ocasião em que dois homens foram atingidos: um no braço e outro na cabeça. Mais tarde, outros cinco foram presos sob acusações que incluem invasão de propriedade, lesão corporal, incêndio, resistência e tentativa de esbulho possessório.
A Polícia Militar afirma que foi acionada depois que integrantes do Policiamento Comunitário Indígena foram atacados e feridos. Segundo o boletim de ocorrência, equipes da Força Tática e do Grupamento Especial Tático de Motos (Getam) foram deslocadas para a região e encontraram vários focos de incêndio. A Aty Guasu desmente a versão policial. Lideranças da Aty afirmam que a comunidade foi alvo de um ataque e atribui os focos de incêndio às bombas utilizadas durante a ação policial. A organização também denuncia que a intervenção ocorreu sem mandado judicial.
A Aty Guasu desmente a versão policial. Lideranças da Aty afirmam que a comunidade foi alvo de um ataque e atribui os focos de incêndio às bombas utilizadas durante a ação policial
Por volta das 10h30 do dia 19, havia informação de que o Pelotão de Emprego e Fronteira (PEF) e a Força Nacional se deslocariam para a região. A presença da Força Nacional teria ocorrido posteriormente, mas a viatura deslocada deixou o local durante a tarde. Depois disso, teria ocorrido um novo ataque, com mais pessoas feridas e a prisão de cinco indígenas. Há denúncias de tortura contra três mulheres.
Com a intervenção da Defensoria Pública, os indígenas feridos conseguiram ser encaminhados para atendimento de emergência. A atuação da Defensoria permitiu que, no dia seguinte, os cinco presos obtivessem liberdade provisória. A escavação da vala também passou a ser objeto de questionamento. No dia 21, segundo o relato encaminhado pelas missionárias, uma equipe do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) esteve na área e teria considerado a possibilidade de responsabilizar o produtor rural pela abertura da estrutura.
Trator abriu uma vala entre a fazenda sobreposta à TI e destruiu barracos e plantações sob a supervisão de policiais militares. Foto: Cimi Regional MS/Equipe Dourados
Cinco indígenas presos
Os cinco indígenas foram detidos na noite de 19 de agosto e encaminhados à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac), em Dourados, e soltos em liberdade provisória na última sexta-feira (21). Um das imposições da Justiça é que os cinco indígenas estão proibidos de acessar e de permanecer na Fazenda Gleba Uirapuru e adjacências, local da retomada – o Aratikuty, por outro lado, é vizinho à fazenda sobreposta ao território tradicional Kaiowá e Guarani.
A situação jurídica dos cinco passou, entretanto, para a esfera federal. Em 20 de agosto, o juiz federal Ricardo da Mata Reis determinou que o processo fosse encaminhado à Justiça Federal em Dourados. O entendimento foi de que o caso não se limita à apuração de condutas individuais, pois está inserido em uma disputa coletiva envolvendo uma reivindicação territorial Guarani e Kaiowá. O Ministério Público Federal (MPF) havia pedido a transferência do caso antes da audiência de custódia.
Segundo a defesa, uma das indígenas relatou ter sido agredida por um policial, enquanto outro preso afirmou ter sido atingido por munição de impacto controlado
Os cinco passaram por audiência de custódia e ainda estavam presos no momento em que os autos foram remetidos à Justiça Federal. A Defensoria Pública pediu a liberdade dos indígenas sem pagamento de fiança. A defesa também contestou a atribuição dos incêndios aos presos e argumentou que a autoria ainda dependeria de perícia.
O processo também incorporou denúncias de violência durante as prisões. Segundo a defesa, uma das indígenas relatou ter sido agredida por um policial, enquanto outro preso afirmou ter sido atingido por munição de impacto controlado. As denúncias foram encaminhadas para órgãos responsáveis pela fiscalização da atividade policial. O juiz federal determinou ainda esclarecimentos sobre a comunicação das prisões aos familiares.
Atividades em memória dos 40 anos do assassinato do líder Guarani e Kaiowá Marçal de Souza Tupã’i, em Dourados (MS). Foto: Tiago Miotto/Cimi
Aratikuty e uma disputa que vem de décadas
A retomada Aratikuty integra um conjunto de acampamentos formados por famílias Guarani e Kaiowá que vivem no entorno da Reserva Indígena de Dourados. Segundo levantamento do Cimi, a região abriga 13 acampamentos, entre eles Aratikuty, Avae’te, Ñu Vera, Ñu Vera Guasu, Boqueirão, Yvu Vera, Jaychapiry, Yvy Rory Poty, Ñu Porã, Apyka’i e Pacurity.
A origem dessas retomadas está relacionada ao confinamento territorial provocado pela formação das reservas indígenas. A Reserva de Dourados, criada em 1917, possui cerca de 2,4 mil hectares e reunia 13.473 indígenas no Censo de 2022, segundo dados citados pelo Cimi. Para as comunidades, a área é insuficiente para a população e não corresponde à extensão dos territórios tradicionalmente ocupados antes da expansão das propriedades privadas.
Os ataques contra as retomadas da região se intensificaram a partir de 2018, segundo levantamento do Cimi
É nesse contexto que as retomadas passaram a ser utilizadas como instrumento de reivindicação territorial. Aratikuty aparece nesse processo há vários anos. Em novembro de 2019, a retomada foi novamente atacada, juntamente com Nhu Vera Guasu. Na ocasião, houve destruição de barracos e registro de indígenas feridos.
A área já havia sido alvo de denúncias de violência em anos anteriores. O Cimi registra ataques de seguranças privados contra a retomada Aratikuty e relatos de ameaças de morte. Relatórios da entidade também mencionam incêndios e ataques armados contra comunidades Guarani e Kaiowá na região.
Os ataques contra as retomadas da região se intensificaram a partir de 2018, segundo levantamento do Cimi. No tekoha Avae’te, vizinho de outras áreas retomadas, casas foram incendiadas em diferentes episódios e indígenas relataram ataques com armas de fogo. Há ainda registros da utilização de um trator blindado, conhecido pelos indígenas como “caveirão”, em ofensivas contra comunidades.
Incêndio provocado por seguranças privados por volta das 11h desta segunda-feira (6), destruiu uma casa Guarani Kaiowá no tekoha Avae’te. Foto: Povo Guarani Kaiowá
Violência policial e despejos
A presença da Polícia Militar em conflitos territoriais envolvendo os Guarani e Kaiowá é uma questão recorrente em Mato Grosso do Sul. Em dezembro de 2017, por exemplo, a Força Tática da PM cumpriu uma ordem de despejo contra famílias que ocupavam o tekoha Pindo Roky. A operação utilizou balas de borracha e bombas e atingiu dez famílias, incluindo mulheres, crianças e idosos.
Em 2021, indígenas da retomada Avae’te denunciaram novamente ataques com bombas de efeito moral e incêndios
Em janeiro de 2020, a escalada de violência nas retomadas próximas à Reserva de Dourados levou a Defensoria Pública da União (DPU) a pedir ao governo de Mato Grosso do Sul o acionamento da Força Nacional. De acordo com o Cimi, cerca de 180 famílias das retomadas Nhu Vera, Nhu Vera Aratikuty, Nhu Vera Guasu e Boqueirão foram alvo de ataques durante 16 horas entre os dias 2 e 3 de janeiro. A entidade relatou a atuação de seguranças privados e do Departamento de Operações de Fronteira (DOF).
No mesmo período, a Polícia Militar foi acionada e, segundo relatos dos Guarani e Kaiowá registrados pelo Cimi, utilizou tiros e bombas de efeito moral para dispersar a comunidade.
Em 2021, indígenas da retomada Avae’te denunciaram novamente ataques com bombas de efeito moral e incêndios. O Cimi registrou, a partir de relatos das lideranças, denúncias de violência tanto por seguranças privados quanto por policiais.
Manifestação durante enterro do Guarani Kaiowá Vitor Fernandes, morto no “massacre do Guapoy”. Crédito: Klenner Antonio da Silva/Cimi Regional Mato Grosso do Sul
2022: Guapo’y e a morte de Vitor Fernandes
Um dos episódios mais graves ocorreu em junho de 2022, na retomada Guapo’y, em Amambai. Após a retomada de uma área reivindicada pelos Guarani e Kaiowá como parte de seu território tradicional, uma operação policial resultou na morte de Vitor Fernandes, de 42 anos, e deixou outros indígenas feridos. O Cimi classificou a ação como um despejo violento e ilegal e passou a tratar o episódio como o “Massacre de Guapo’y”.
A Apib levou ao Supremo Tribunal Federal (STF) questionamentos sobre a violência policial contra os Guarani e Kaiowá em Mato Grosso do Sul
O caso teve repercussão nacional e passou a integrar a discussão sobre a atuação das forças de segurança em conflitos territoriais no Estado. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) levou ao Supremo Tribunal Federal (STF) questionamentos sobre a violência policial contra os Guarani e Kaiowá em Mato Grosso do Sul. A ação passou a tramitar como ADPF 1059.
Poucos dias depois do episódio de Guapo’y, o Cimi registrou outro ataque policial contra famílias Guarani e Kaiowá no tekoha Kurupi, em Naviraí. A entidade apontou os episódios como parte de um padrão de atuação das forças de segurança em disputas territoriais envolvendo retomadas.
Policiais militares ameaçam despejar a retomada de Laranjeira Nhanderu na manhã desta sexta (03/03), mesmo sem mandado judicial. Foto: povo Guarani e Kaiowá
2023: despejo sem mandado em Laranjeira Nhanderu
Em março de 2023, o Batalhão de Choque da Polícia Militar realizou uma operação contra uma retomada Guarani e Kaiowá no tekoha Laranjeira Nhanderu, em Rio Brilhante. A retirada ocorreu sem mandado judicial. Dois homens e uma mulher Kaiowá foram presos e indígenas foram atingidos por balas de borracha.
A disputa em Laranjeira Nhanderu continuou nos anos seguintes. Em 2025, a comunidade ingressou com ação na Justiça Federal pedindo reparação por danos coletivos e responsabilização da União pela demora na identificação e delimitação do território. Para a Aty Guasu, a demora na regularização territorial empurra as comunidades para retomadas e, consequentemente, para situações de confronto e violência.
Momento em que um batalhão da Tropa de Choque bloqueia um dos acessos à aldeia Jaguapiru, Reserva Indígena de Dourados. Foto: Reprodução/Vídeo feito pela comunidade
2024: PM é acusada de atacar mulheres, crianças e idosos
Outro episódio de grande repercussão ocorreu em novembro de 2024, dentro da própria Reserva Indígena de Dourados. A Tropa de Choque da PM entrou na Reserva, na aldeia Jaguapiru, utilizou bombas e atirou contra mulheres, crianças e idosos. A entidade contabilizou pelo menos 50 indígenas feridos e quatro presos.
O caso não ficou restrito à denúncia de organizações indígenas. Em outubro de 2025, o Ministério Público Federal ajuizou ação contra o Estado de Mato Grosso do Sul em razão da intervenção policial ocorrida em novembro de 2024, classificando-a como uma ação violenta contra uma manifestação que protestava contra a falta de água potável.
Para o MPF, a repressão policial, associada ao histórico de omissão no atendimento de necessidades básicas da população indígena, poderia configurar discriminação indireta, múltipla e racismo institucional contra Guarani, Kaiowá e Terena.
Indígena Neri Guarani e Kaiowá morto na TI Nhanderu Marangatu em ação policial. Foto: povo Guarani Kaiowá
Neri: o jovem morto em Ñande Ru Marangatu
Neri Ramos da Silva, Guarani e Kaiowá de 23 anos, foi morto com um tiro na cabeça durante uma ação da Polícia Militar, em setembro de 2024, contra uma retomada na Fazenda Barra, sobreposta à Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, em Antônio João (MS).
O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) afirma que a operação foi violenta e registra que indígenas denunciaram que policiais arrastaram o corpo do jovem para uma área de mata. Dias antes, em 12 de setembro, outra ação da PM havia deixado três indígenas feridos. Na noite anterior à morte, vídeos circulavam anunciando a iminência de um novo ataque. O relatório ainda observa que uma decisão da Justiça Federal autorizara a atuação da polícia em proteção à propriedade privada.
O Cimi descreve o episódio no mesmo sentido e inclui Neri entre os dois assassinatos de 2024 que, em sua avaliação, se destacaram pela participação da Polícia Militar, ao lado do caso de Nega Pataxó. O relatório também relaciona a morte à sucessão de ataques contra comunidades Guarani e Kaiowá na região.
A comunidade do tekoha Guyraroka retomou uma fazenda sobreposta à Terra Indígena para evitar pulverização de agrotóxicos próximos às moradias indígenas. Foi alvo de intensos e contínuos ataques de pistoleiros e de forças policiais. Foto: Renato Santana/Cimi
2025: novos despejos e balas de borracha
Em setembro de 2025, a Tropa de Choque da PM voltou a ser denunciada por uma operação contra os Guarani e Kaiowá em Caarapó, na Terra Indígena Dourados-Amambaipeguá III.
Os policiais utilizaram balas de borracha e retiraram indígenas de uma área retomada. A operação ocorreu sem a presença da Funai e do MPF, segundo as denúncias.
A violência contra os Guarani e Kaiowá não se limita às operações policiais. Ataques de grupos armados, seguranças privados e fazendeiros aparecem repetidamente associados às disputas por territórios tradicionais
No mesmo ano, em novembro, Vicente Fernandes Vilhalva Kaiowá e Guarani foi assassinado com um tiro na cabeça durante um ataque armado contra a retomada de Pyelito Kue, na Terra Indígena Iguatemipeguá I. O ataque deixou ainda quatro indígenas feridos.
A violência contra os Guarani e Kaiowá não se limita às operações policiais. Ataques de grupos armados, seguranças privados e fazendeiros aparecem repetidamente associados às disputas por territórios tradicionais. A atuação do Estado, porém, é alvo de críticas quando forças policiais participam de despejos ou quando, segundo as comunidades, não garantem proteção diante de ataques.
Relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil – dados de 2025
Dados recentes mostram a dimensão da violência
O relatório “Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2025”, divulgado pelo Cimi em agosto, registrou 258 assassinatos de indígenas em 2025, alta de 22% em relação aos 211 casos de 2024. Mato Grosso do Sul foi o terceiro estado com maior número de homicídios dolosos de indígenas, com 37 registros.
A entidade sustenta que a demora na demarcação cria um ambiente permanente de insegurança. No caso dos Guarani e Kaiowá, a disputa pela recuperação de territórios tradicionais se desenrola tendo como pano de fundo uma realidade de confinamento populacional e sobreposição de interesses fundiários.
O episódio de Aratikuty acrescenta mais um capítulo a esse histórico. A sequência de acontecimentos desde 17 de agosto, com a destruição de estruturas, a abertura de uma vala, confrontos, feridos e prisões, mostra como a indefinição sobre o território tradicional permanece produzindo situações de conflito direto.
Fonte: https://cimi.org.br/2026/08/aratikuty-retomada-reserva-ataque-policia-militar/
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