27Ago2026
Diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, comunidades Guariba e Mangueira participaram de oficina sobre conservação de sementes e produção de mudas baseada em conhecimentos ancestrais.
O Conselho Indígena de Roraima (CIR), por meio do Departamento de Gestão Territorial, Ambiental e Mudanças Climáticas (DGTAMC) promoveu, entre os dias 25 e 26 de agosto, a oficina “Sementes Tradicionais e Produção de Mudas Nativas”. A iniciativa aconteceu nas comunidades indígenas Guariba e Mangueira, na etnorregião Amajari, e buscou fortalecer a discussão sobre a prática da sustentabilidade e da adpatação ambiental em meio às mudanças climáticas.
O projeto idealizado pelos engenheiros agrônomos do CIR, Renan Macuxi e Raiovane Montenegro, reuniu cerca de 170 participantes nos dois dias de oficina, entre eles, lideranças indígenas, agricultores, alunos e professores da Escola Estadual Indígena Tuxaua Tobias Barreto e da Escola Estadual Indígena Tuxaua Manoel Horácio.
Com o tema “Enfrentamento e Resiliência frente às Mudanças Climáticas através da Biodiversidade”, a programação contou com rodas de conversa, discussões teóricas e atividades de campo, com objetivo de aprimorar os conhecimentos dos participantes em relação à preparação das sementes e mudas para que sobrevivam a secas ou excesso de chuvas quando forem para o campo.
“Acredito que enfrentar as mudanças climáticas não se faz apenas com teoria, mas dando autonomia para as pessoas e ferramentas para ações práticas. Ao ensinarmos como aproveitar os recursos locais na compostagem e no manejo das mudas, estamos entregando ferramentas práticas para o dia a dia deles”, explica o engenheiro agrônomo, Raiovane Montenegro.

A oficina utilizou os saberes tradicionais da própria região Amajari para também ensinar sobre a coleta e a conservação da diversidade genética das sementes tradicionais, com base nas técnicas de quebra de dormência e armazenamento adequado. Segundo o engenheiro agrônomo, a troca de conhecimento entre as comunidades foi o ponto de destaque da iniciativa.
“Para mim, o maior valor dessa oficina foi ver de perto a ponte que construímos entre a sabedoria ancestral das comunidades e as práticas sustentáveis que levamos”, destaca.
Um exemplo dessa troca, foi o intercâmbio de sementes e mudas que ocorreu durante o encerramento da atividade. A comunidade Mangueira doou sementes de copaíba, leucena e feijões regionais, enquanto a comunidade Guariba doou mudas de ipê, jatobá e pimentas. A experiência fortalece ainda mais a biodiversidade local, como destaca Raiovane.
“Estamos garantindo não apenas a proteção do território, mas também a segurança alimentar, resiliência frente às mudanças climáticas e a sobrevivência da cultura e da biodiversidade dessas comunidades para as próximas gerações, garantindo seu bem viver. Foi uma vivência transformadora e muito proveitosa a realização da oficina”.
A oficina contou com apoio de Nia Tero e Fundo Pawanka.
Comentários