Lideranças das doze regiões-base do CIR participaram do seminário realizado no Centro Regional Lago Caracaranã.
A programação do II Seminário do Fundo Indígena Rutî, realizado no tradicional Lago Caracaranã, na região Raposa, Terra Indígena Raposa Serra do Sol, nos dias 21 e 22 de maio, abordou os resultados e avanços do Fundo, principais conquistas, projetos apoiados, aprendizados, desafios enfrentados e contribuições do Fundo para o território.
“Esse seminário é uma demanda que saiu na 55ª Assembleia Geral, onde as lideranças pediram para fazer esse momento. Isso é muito importante. O Fundo vem para fortalecer tudo o que existe aqui, especialmente na área de produção, e os senhores têm o papel de multiplicar essas informações que receberem aqui em suas bases”, disse Josimara Baré, coordenadora do Fundo Rutî.
O Fundo Indígena Rutî é fruto da luta das lideranças tradicionais. Foi criado em 2024 para fortalecer o desenvolvimento sustentável das comunidades e a autonomia dos povos indígenas, garantindo a ocupação e a proteção dos territórios por meio do financiamento de projetos, respeitando a realidade e o modo de vida dos povos indígenas de Roraima.







Momentos durante o II Seminário no Centro regional Lago do Caracaranã. Fotos: ASCOM/CIR
Durante o seminário, foram compartilhados o histórico do Fundo, objetivos, estrutura de governança, equipe, fluxos internos, formas de apoio, processos de seleção dos projetos, execução, monitoramento, prestação de contas e aplicação dos recursos recebidos.
A liderança tradicional Clóvis Ambrósio, que também é vice-coordenador da região Serra da Lua, esteve presente no seminário e relembrou os momentos de luta para ter o Fundo consolidado. As informações foram ouvidas e anotadas atentamente pelos participantes.
“Fico feliz e grato por ouvir a experiência do senhor Clóvis e reafirmo que o Fundo tem essa essência de ocupar e fortalecer os territórios, para dar autonomia, proteger nossas comunidades e tudo aquilo que plantamos e criamos lá”, afirmou Paulo Ricardo, vice-tuxaua geral do CIR.
Na ocasião, as lideranças referendaram o planejamento estratégico do Fundo Indígena Rutî para os próximos anos, construído pela equipe técnica e pelo conselho gestor do Fundo. Apresentado por Luciano Padrão, consultor externo, o planejamento estratégico traz as prioridades do Fundo para os próximos anos.
As atividades de monitoramento dos vinte e cinco projetos também foram citadas, com acompanhamento em nove regiões contempladas no primeiro edital, nas áreas de pecuária sustentável, piscicultura, agricultura sustentável, entre outras. A atividade é realizada pela equipe técnica do Fundo.
“O Fundo, de fato, tem alcançado seu objetivo, que é fortalecer as comunidades por meio dos projetos, dando autonomia econômica às famílias, regiões e comunidades”, afirmou Geraldo Wai Wai, engenheiro agrônomo do Fundo Rutî.







Momentos de entrega dos equipamentos para os articuladores das regiões. Fotos: ASCOM/CIR
Com resultado positivo, alguns dos projetos contemplados no primeiro edital já estão sendo concluídos, com colheitas realizadas e outras próximas de serem feitas.
“Esse papel de monitoramento é importante. É a partir dele que sabemos em que pé está o projeto lá na base, se já está finalizando, se precisa de assistência técnica, entre outras situações. Tudo é feito pela equipe técnica do Fundo, que acompanha a implementação dos projetos”, destacou Josimara Baré.
A meta do segundo edital é atender todas as regiões-base do CIR, contemplando projetos da juventude e de mulheres nas áreas da sustentabilidade e do artesanato.
“O Fundo é novo, mas já é referência em nível nacional e internacional. Faz parte da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia Brasileira. Trazemos essa experiência de fortalecimento e apoio aos projetos existentes nas bases, dando autonomia ao nosso povo”, completou Amarildo Macuxi, tuxaua geral do Conselho Indígena de Roraima.
Entrega de equipamentos para os articuladores de projetos do Fundo
No segundo dia de programação do Seminário do Fundo Indígena Rutî, os articuladores de projetos receberam equipamentos que irão auxiliar no trabalho de campo e no acompanhamento dos projetos.
O regimento interno aprovado durante a 55ª Assembleia Geral dos Povos Indígenas de Roraima foi lido para as lideranças presentes. O documento traz a estrutura de governança do Fundo Indígena Rutî.
“Para nós, lideranças, é muito importante estar aqui, saber como funciona e quais são os próximos passos do Fundo Indígena Rutî. Na minha região, foi aprovado um projeto de pecuária sustentável na comunidade Raimundão I, e as informações apresentadas aqui vou levar para a minha base”, disse Suzane Lemos, coordenadora de tuxauas da região Alto Cauamé.
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