Apoiado pela CAFOD o projeto leva água potável para regiões com escassez do bem tão precioso
Um sonho que se tornou realidade para cerca de cinquenta comunidades indígenas de Roraima, contempladas com ações do “Projeto Águas”, desenvolvido pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR), por meio do Departamento de Gestão Territorial, Ambiental e Mudanças Climáticas (DGTAMC), coordenado por Sineia do Vale, e com apoio da CAFOD (Agência Católica para o Desenvolvimento Ultramarino) e parceiros como UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI LESTE/RR).
Baixo Cotingo e Amajari, fazem parte das regiões do Estado com dificuldades para ter água apropriada para o consumo humano. Para algumas comunidades dessas regiões a dura situação mudou devido ao “Projeto Águas”. A parceria entre o CIR e a CAFOD, que existe há mais de 20 anos tem sido fundamental para fortalecer a autonomia e o melhorar a qualidade de vida e promover o bem viver nas comunidades indígenas em Roraima.



Momentos de celebração e entrega do Sistema de Abastecimento de Água, Comunidade Indígena Wixi. Foto: Daniel Matos/Comunicador da Rede Wakywaa – Região Itacutú
A falta de água não é um problema que afeta apenas a região Amajari, as demais regiões e terras indígenas de Roraima também sofrem com a escassez de água. Em Baixo Cotingo, município de Normandia, a situação não é diferente o bem essencial para a sobrevivência humana faz falta para as famílias. A situação piora no período do verão, época em que rios e igarapés secam afetando drasticamente o cotidiano das comunidades indígenas da região.
O consumo de água inapropriada (com cor de gasolina) de um poço artesiano no período da seca levou pessoas adoeceram, com vomito, febre e diarreia. O caso foi lembrado por Janilson de Lima, segundo tuxaua da comunidade indígena Itacutú, polo – base São Francisco, região do Baixo Cotingo, terra indígena Raposa Serra do Sol, durante uma visita para acompanhar como a comunidade estava após a implantação do sistema de abastecimento de água em 2023.
“A iniciativa trouxe mudanças na realidade dos moradores que anteriormente, enfrentavam dificuldades de acesso a água, antes do projeto a água usada era do poço artesiano, mas não era boa, tinha cor de gasolina e causava muitas doenças”, afirmou a liderança.
Em 2025, para amenizar a situação na região foram contempladas cinco comunidades indígenas, na Serrinha, por exemplo foi feita a perfuração de um poço, uma demanda antiga da comunidade.
Já nas comunidades Banco e Wixi, a implantação do Projeto, foi a captação de água do Rio Cotingo. Para instalar o sistema, foi preciso fazer a análises de metal pesado da água do rio, para saber se estava apropriado para o consumo humano.
Pela primeira vez que o Conselho Indígena de Roraima (CIR) trabalha com esse tipo de sistema.
Na comunidade Perdiz, foi realizado a revitalização do poço amazonas, existente na comunidade. A estrutura atual possuiu tampa, uma bimba submersa e castelo de madeiras.
A ação envolveu a equipe técnica do DGTAMC e DSEI LESTE/RR, que fazem desde a avaliação da área para instalação do poço e a placa solar, com apoio da CAFOD (Agência Católica para o Desenvolvimento Ultramarino) E UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância)
Como funciona o “Projeto Água”
A demanda vem das regiões e comunidades indígenas, a partir disso é feito uma avaliação da demanda apresentada, reunião com os parceiros implementadores, em seguida planejamento das ações. Se for a perfuração do poço, é solicitado o apoio com geólogo, para fazer todo estudo na comunidade. Já aconteceu do resultado ser negativo (impossibilitado de perfurar o solo) como foi o caso da comunidade Banco.
Se aprovado é feito o procedimento de solicitação da empresa, para executar o serviço. Todos os poços perfurados pelo Conselho Indígena de Roraima seguem o padrão do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI LESTE/RR).
Os castelos de madeiras, que suportam uma caixa de 5.000 litros, também passam por aprovação, todo o material para levantar as estruturas são compradas conforme a orientação, do SESANI (Serviço de Edificações e Saneamento Ambiental Indígena), que disponibilizou ao CIR em julho de 2024 o projeto do modelo do castelo.




Momentos da equipe do DGTAMC na execução da atividade do projeto Água. Fotos: Arquivo Pessoal
Fátima André, do povo Macuxi, faz parte da equipe técnica do Departamento de Gestão Territorial, Ambiental e Mudanças Climáticas (DGTAMC), Fátima acompanha o projeto, com visitas de diagnóstico da água nas comunidades, ouvindo as lideranças e vendo de perto a realidade de quem precisa da água para viver.
“Quando comecei a acompanhar o projeto Água e visitar as comunidades, vi que a situação de vários locais era bem crítica. Tanto no verão quanto no inverno. No inverno, se tem bastante água, não é apropriado para o consumo humano, não tem tratamento adequado. Durante o verão, seca as fontes de água, seca os poços que a própria comunidade faz,” explicou Fátima
Os desafios aumentaram com as mudanças climáticas, com chuvas curtas e verão longo, acompanhar a transformação do tempo exige sabedoria, e o projeto tem ajudado para as famílias não perderem as sementes tradicionais e garantir o plantio e a colheita farta.
“Fazemos as ações com apoio da CAFOD e demais parceiros cada um tem um papel importante na execução do projeto, e é gratificante ver os moradores das comunidades felizes, recebendo o sistema de água em casa, ter água acesso a água é ter saúde, é se prevenir de doenças, é garantir alimentação saudável para todos”, concluiu Fátima.
O Projeto Águas, também é desenvolvido com atividades de perfuração e limpezas de poços artesiano, entrega de filtro de barro, tratamento de água, construção de castelo de madeiras.
Em 2026, o Projeto Água, vai apoiar a região Serra da Lua, a atividade iniciará com o diagnóstico para levantar as demandas das 3 comunidades da região que receberão o apoio devido. A iniciativa irá fortalecer a autonomia dos povos Macuxi e Wapichana que vivem na região.
Práticas saudáveis e preservação da água
Com o foco em levar informações às comunidades indígenas sobre a preservação da água, os sistemas de abastecimento de água e promover práticas adequadas de cuidado com a água destinada ao consumo humano, uma oficina com o tema “Água e Saúde” foi realizada na Comunidade Indígena Perdiz, polo base Teso do Gavião, região Baixo Cotingo, com participação de moradores da Comunidade Indígena Ananás região Amajari.
Por meio de rodas de conversa, palestras e atividades interativas foram abordados temas como; Acesso e qualidade para o consumo humano; A água e o papel do AISAN; Manejo e cuidado com as fontes de água; Cuidados e práticas de alimentação saudável; Higiene pessoal, com lavagens corretas das mãos.










Momentos durante a “Oficina, Água e Saúde”, na Comunidade Perdiz. Fotos: Gisele Wapichana
Participaram da atividade Agente Indígena de Saneamento (AISAN), Agente Indígena de Saúde (AIS) Agentes Territoriais e Ambientais Indígenas (ATAIs), jovens, mulheres, crianças e comunidade em geral.
O encontro ocorreu de 26 a 28 de maio, e foi realizado pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR), em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena Leste de Roraima (DSEI LRR), com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a CAFOD (Agência Católica para o Desenvolvimento Ultramarino).
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