O Rock in Rio confirmou nesta quinta (27) que terá um dia dedicado ao rap no palco Sunset pela primeira vez na história do festival. Racionais MC’s será a atração que fecha a programação do espaço no dia 3 de setembro deste ano.

“É um direito conquistado, é um reconhecimento da grandeza e da representatividade desse movimento dentro do nosso país”, afirma Mano Brown, líder do Racionais, por telefone ao Lineup. O artista volta ao Rock in Rio após se apresentar, também no palco Sunset, ao lado de Bootsy Collins em 2019.

No mesmo dia, o paulistano Criolo recebe a cantora cabo-verdiana Mayra Andrade, cujo álbum “Lovely Difficult” tem colaborações com grandes nomes da música brasileira como Chico Buarque e Caetano Veloso.

“O Rock in Rio, há muito tempo, se tornou um festival do Brasil”, diz Criolo sobre a diversidade do evento, que teve a primeira edição em 1985. O rapper, em 2017, subiu ao palco com Alcione, Martinho da Vila e Jorge Aragão para um dia de samba. “Lógico que ele [Rock in Rio] tem esse jeito, essa sua raiz e seu DNA que começou no Rio de Janeiro, mas há muito tempo já vem se tornando plural e eu sinto que a acolhida é muito grande.”

Já o carioca Xamã, destaque do Espaço Favela, em 2019, faz um show inédito em companhia do Brô MC’s, grupo de rap indígena.

“Foi o melhor show da minha vida até hoje. Eu sempre falo isso em todos os lugares que vou, entrevistas, com meus amigos, nas rodas de amigos de músicos”, diz empolgado Xamã, dono do hit “Malvadão 3”, que chegou ao primeiro lugar entre as músicas mais ouvidas do Spotify no Brasil no fim de 2021.

Turnê Racionais 3 Décadas
Turnê Racionais 3 Décadas

Formado por Kelvin Mbarete, Bruno Veron, Charlie Peixoto e Clemerson Batista, o quarteto Brô MC’s de Mato Grosso do Sul vai levar muitos elementos da cultura indígena ao palco: “A gente sempre utiliza a pintura, cocar, colares, que são da nossa cultura, e o mais importante de todos: a nossa língua”, conta Kelvin. “Também uma informação que a gente leva com as nossas músicas é a nossa realidade. Muitas vezes, os grandes centros não sabem dessa cultura indígena, que é tão preciosa.”

“Tenho mais de dez anos de hip hop e se me contassem lá atrás que um dia o Rock In Rio ia ter um dia só de rap eu não acreditaria”, relata Papatinho. “O rap e o funk evoluíram muito em qualidade e tecnologia e era questão de tempo até conquistarem todos os espaços do país.”

L7nnon, cria de Realengo, no subúrbio do Rio, observa o crescimento do gênero no país e diz querer passar boas mensagens ao público. “Eu sei que tenho o privilégio de ser ouvido por muita gente, então tenho que usar essa minha plataforma pra passar a visão do certo e servir como inspiração pra milhões de jovens que passaram pelas mesmas situações que eu no Brasil.””

Adiado por causa da pandemia de Covid-19, o festival, que seria em 2021, teve de ser remarcado para os dias 2, 3, 4, 8, 9, 10 e 11 de setembro do de 2022, no Parque Olímpico, onde é montada a Cidade do Rock.

Imagens do cantor Criolo
Imagens do cantor Criolo

O diretor artístico do palco Sunset, Zé Ricardo, diz que o espaço acompanha os movimentos da música. e propõe diálogos sobre humanidade utilizando a música com peça central. Com o rap, com sua trajetória de resistência, o festival ressalta pautas sociais importantes e abre espaço para conversas relevantes.

“O rap é a voz das periferias. Ele representa as pessoas periféricas na cultura por meio do retrato fiel que faz da realidade de milhares de brasileiros”, diz. “A narrativa do rap vai muito além dos beats e das rimas. Ela provoca uma reflexão sobre o que somos como sociedade.”

“Aos poucos e já vem acontecendo, a plateia que ouve hip-hop, que ouve essa vertente da música negra, vai ocupar seu espaço nos grandes festivais à medida que o rap também vai ocupar o espaço”, diz Mano Brown.

Sobre a importância do estilo musical, Xamã completa: “Eu acho que a arte ensina muito. Ela traz informações para pessoas que não tiveram oportunidade de discernimento. Eu fui educado e eu educo meu público.”

Charlie Peixoto, Kelvin Mbarete, Bruno Veron, Clemerson Batista (dir. p/ esq.), do Brô MC's
Charlie Peixoto, Kelvin Mbarete, Bruno Veron, Clemerson Batista (dir. p/ esq.), do Brô MC’s, em show no festival América do Sul, em Corumbá (MS); quarteto forma um grupo indígena de rap – Fabiana Fernandes – 25.mai.2018/Divulgação

No início do ano, Mano Brown disse em suas redes sociais que o público só poderia ver seus shows e do Racionais caso apresentasse o comprovante de vacinação contra a Covid-19. “É uma obrigatoriedade, certo? E a gente só está seguindo o protocolo. Seguindo o protocolo de preservar o público”, reafirma o artista.

Após a declaração do rapper, o jornalista Silvio Navarro escreveu no Twitter: “Mano Brown exige certificado de vacinação para entrar em seus shows. Atestado de antecedentes criminais não são exigidos”.

Criticado, ele apagou o texto e justificou: “Não tem absolutamente nada a ver com racismo ou estilo musical —e, sim, a letras sobre violência e crime. Como a mensagem não foi clara e muita gente se sentiu ofendida, peço desculpas.”

Racionais, presente e passado
Racionais, presente e passado

“Quanto a reação das pessoas que eram contra e associaram o rap ao crime, a um público de delinquentes, todo movimento jovem passa por esse tipo de preconceito”, diz Brown. “E o rap, por ser um movimento de cultura negra, muito mais, né? Então para nós não é novidade, pra quem é da nossa cultura não é novidade ser confundido. A gente convive com isso, a gente canta isso. O rap é isso, ele fala isso. Entendeu?”

Brown diz que, se pode haver algo positivo nesse tipo de declaração, é que há a identificação de quem pensa assim. “E se tem um lado bom nisso é saber onde estão os inimigos, né, vamos dizer assim. Deixa de ser invisível para ser notório. Eles sempre existiram, pessoas com esse pensamento… E isso alimenta a nossa vontade, o nosso querer. ‘Morô’?”

Em entrevistas, Roberto Medina se diz a favor da vacinação obrigatória, mas o festival ainda não tem uma diretriz definida sobre o tema, mas afirma que vai seguir as regras sanitárias vigentes.

Até o momento, o Rock in Rio divulgou nomes do palco Mundo, como Iron Maiden, Dream Theater, Megadeth e Sepultura + Orquestra Sinfônica Brasileira, que se apresentam no dia 2; Post Malone, Marshmello, Jason Derulo e Alok fazem show no dia 3; Justin Bieber, Demi Lovato e Iza, no dia 4; Guns N’ Roses e Måneskin estão agendados para o dia 8; Green Day, Fall Out Boy, Billy Idol e Capital Inicial tocam no dia 9; Coldplay, Camilla Cabello, Bastille e Djavan no dia 10; e Dua Lipa e Ivete Sangalo fecham o evento no dia 11.

Já no palco Sunset, as atrações confirmadas são Joss Stone, Corinne Bailey Rae, Gloria Groove e Duda Beat com shows marcados no dia 8 de setembro; Avril Lavigne está escalada para o dia 9; CeeLo Green faz um tributo a James Brown em 10 de setembro, enquanto Ludmilla e Macy Gray se apresentam em 11 de setembro.

Os 200 mil ingressos colocados à venda em 21 de setembro estão esgotados. Por R$ 545, o Rock in Rio possibilita ao fã comprar sem saber toda a programação e depois escolher os dias de festival em que deseja ir. A seleção pode ser feita até 1º de abril, mês em que começa a próxima rodada de vendas.

2 de setembro

Mundo
Iron Maiden
Dream Theater
Megadeth
Sepultura + Orquestra Sinfônica Brasileira

Sunset
Nenhuma atração divulgada

3 de setembro

Mundo
Post Malone
Marshmello
Jason Derulo
Alok

Sunset
Racionais MC’s
Criolo e Mayra Andrade
Xamã e Brô MC’s
Papatinho e L7nnon convidam MC Hariel e MC Carol

4 de setembro

Mundo
Justin Bieber
Demi Lovato
Iza

Sunset
Nenhuma atração divulgada

8 de setembro

Mundo
Guns N’ Roses
Måneskin

Sunset
Joss Stone
Corinne Bailey Rae
Gloria Groove
Duda Beat

9 de setembro

Mundo
Green Day
Fall Out Boy
Billy Idol
Capital Inicial

Sunset
Avril Lavigne

10 de setembro

Mundo
Coldplay
Bastille
Camila Cabello
Djavan

Sunset
CeeLo Green

11 de setembro

Mundo
Dua Lipa
Ivete Sangalo

Sunset
Ludmilla
Macy Gray

Quando: 2, 3, 4, 8, 9, 10 e 11 de setembro
Onde: Parque Olímpico (av. Embaixador Abelardo Bueno, 3.401, Barra da Tijuca, zona oeste, Rio de Janeiro)
Quanto: R$ 545 (Rock in Rio Card, já esgotados); nova venda em abril
Mais informação: rockinrio.com

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/lineup/2022/01/racionais-criolo-e-mcs-indigenas-fazem-show-em-dia-do-rap-no-rock-in-rio.shtml

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