Desenvolvido pela Kanindé, o SMDK é uma ferramenta de monitoramento permanente.
O Sistema de Monitoramento de Desmatamento Kanindé (SMDK) registrou 336 alertas validados de desmatamento, degradação florestal e cicatrizes de queimadas em Terras Indígenas de Rondônia entre 1º de janeiro e 16 de dezembro de 2025. Juntos, os alertas somam 22.185,46 hectares de áreas impactadas dentro dos territórios indígenas monitorados pelo sistema.
Desenvolvido pela Kanindé, o SMDK é uma ferramenta de monitoramento permanente criada para identificar invasões, desmatamento e processos de degradação em Terras Indígenas de Rondônia. O sistema integra tecnologia livre, imagens orbitais públicas e aprendizado de máquina para gerar alertas rápidos de alterações na floresta, combinando análise remota com validação humana e, em alguns territórios, monitoramento em campo realizado por monitores indígenas. O monitoramento abrange 23 territórios indígenas e uma faixa de 10 quilômetros ao redor de cada território, totalizando cerca de 6,4 milhões de hectares acompanhados no estado.
Além do uso de dados orbitais de satélites públicos, o sistema funciona de maneira participativa: os alertas gerados são analisados e validados por equipes técnicas e, em determinadas regiões, por agentes ambientais indígenas mobilizados por organizações parceiras e pelas próprias comunidades, fortalecendo a vigilância territorial e a proteção da biodiversidade nos territórios. Toda detecção do SMDK passa por verificação humana, o que amplia a confiabilidade das informações utilizadas para monitoramento, incidência e denúncia.
Entre as Terras Indígenas que contam com equipes de ação e monitoramento territorial, Uru-Eu-Wau-Wau, Pacaás Novas, Sete de Setembro, Rio Branco e Igarapé Lourdes, foram registrados, juntos, 109 alertas, totalizando 9.455,96 hectares afetados por desmatamento, degradação e queimadas. A Terra Indígena Sete de Setembro apresentou a maior área impactada entre os territórios monitorados, com 3.925,92 hectares, seguida da Terra Indígena Pacaás Novas, com 2.851,65 hectares. A Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau registrou 1.295,77 hectares impactados; Rio Branco, 844,04 hectares; e Igarapé Lourdes, 538,58 hectares.

Os dados do boletim apontam ainda que a maior parte dos alertas identificados dentro das Terras Indígenas teve origem no sistema DETER, responsável por 306 registros, seguido pelo próprio SMDK, com 26 alertas, e pelo MapBiomas, com quatro registros.
A pressão ambiental também se mostra significativa no entorno dos territórios indígenas. Na faixa de 10 quilômetros monitorada pelo sistema, foram identificados 527 alertas, correspondendo a 19.823,93 hectares impactados no mesmo período. Quando somados os dados das Terras Indígenas e das áreas do entorno, o total chega a 863 alertas e 42.009,39 hectares atingidos por processos de desmatamento, degradação e queimadas.
Mais do que gerar dados, o SMDK subsidia ações de proteção territorial, denúncias aos órgãos competentes e estratégias de incidência em defesa dos direitos indígenas e da floresta. As informações produzidas pelo sistema também ajudam a dar visibilidade à situação de vulnerabilidade dos territórios indígenas e podem apoiar ações de fiscalização e tomada de decisão por instituições públicas e organizações parceiras.
A coordenadora do núcleo de geoprocessamento da Kanindé, Damarys Elage, explica: “Os alertas gerados pelo SMDK nos levam a diferentes ações. Nós fazemos denúncias aos órgãos competentes, acionamos as equipes de vigilância dos territórios e, quando necessário e do interesse das comunidades, organizamos expedições para uma verificação mais próxima da área. Também usamos tecnologias, como drones, para apoiar esse monitoramento. Nos casos de queimadas, buscamos entender se a prática está relacionada à agricultura tradicional de corte e queima ou a alguma ação ilícita. A ideia é monitorar essas áreas e fortalecer a proteção dos territórios indígenas e da floresta.”
Os dados reforçam a importância da vigilância territorial, da proteção ambiental e do fortalecimento contínuo das ações de monitoramento para a preservação dos povos indígenas, de seus territórios e da floresta amazônica. Ao evidenciar áreas de maior pressão e vulnerabilidade, o monitoramento contribui para ampliar a capacidade de resposta das comunidades, subsidiar ações de proteção e fortalecer estratégias de defesa dos territórios indígenas em Rondônia.

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