Vídeos nas redes sociais registraram o indígena amarrado e sendo espancado por vários homens em uma estrada de terra dentro da aldeia Amambai, em Mato Grosso do Sul – Reprodução/Redes Sociais
- Vítima recebeu atendimento de saúde após agressões registradas em vídeo na aldeia Amambai, segundo Ministério dos Povos Indígenas e Funai
- Polícia Civil afirma que homem foi detido por equipe de Segurança Indígena após investigação sobre o abate de uma vaca dentro da comunidade
Rio de Janeiro
Um homem indígena foi torturado na aldeia Amambai, em Mato Grosso do Sul, após ser acusado de participação no furto e abate de uma vaca dentro da comunidade, a cerca de 350 km de Campo Grande. O caso ocorreu na última sexta-feira (5) e passou a ser investigado após a divulgação de imagens que mostram a vítima sendo espancada por um grupo de homens.
O caso levou o Ministério dos Povos Indígenas e a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) a acionarem as forças de segurança pública e o MPF (Ministério Público Federal) para investigação.
As imagens da agressão, que circulam nas redes sociais, mostram o indígena caído em uma estrada de terra, cercado por vários homens. Nas imagens, a vítima aparece recebendo choques elétricos, golpes de cassetete e chutes enquanto permanece sob contenção. Durante a gravação, o indígena emite gritos e gemidos de dor. Aos menos quatro homens participam das agressões.
O vídeo mostra ainda outros homens ao redor da vítima conversando entre si enquanto as agressões continuam. As circunstâncias exatas da ação ainda são investigadas.
Em nota conjunta, o Ministério dos Povos Indígenas e a Funai informaram que acompanham o caso por meio da Coordenação Regional da Funai em Ponta Porã, acionaram as forças de segurança pública para apuração dos fatos e comunicaram a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), responsável pelo atendimento à vítima.
A reportagem procurou a Sesai por email na tarde desta quarta-feira. O órgão pediu mais tempo para levantar as informações.
Segundo os órgãos, o homem indígena recebeu atendimento de saúde após as agressões. O ministério informou ainda ter oficiado o Ministério Público Federal para conduzir um inquérito sobre o caso.
A Procuradoria informou que acompanha o caso e já pediu à Polícia Federal a abertura de um inquérito para apurar a autoria das agressões e as circunstâncias do episódio.
Segundo o órgão, a investigação está em fase inicial e corre sob sigilo. O MPF afirmou ainda que acompanha a ocorrência “com a atenção que a gravidade dos fatos exige” e reafirmou seu compromisso com a defesa dos direitos dos povos indígenas e a apuração de violações de direitos humanos.
A versão apresentada pela Polícia Civil aponta que a equipe de Segurança Indígena foi acionada por uma moradora da aldeia que denunciou o furto e o abate de uma vaca utilizada para produção de leite.
De acordo com a corporação, o animal foi abatido clandestinamente na madrugada de sexta-feira (5). Horas depois, parte da carne foi localizada em um pasto da aldeia. Posteriormente, integrantes da Segurança Indígena encontraram outra parte da carne na residência de um dos suspeitos.
Segundo a polícia, no local estavam três indígenas apontados como envolvidos no caso, além de outras pessoas. Os seguranças deixaram a área para buscar apoio e, ao retornarem, conseguiram deter três suspeitos, que foram levados à delegacia.
Os três foram autuados em flagrante por furto qualificado de semovente, crime que envolve a subtração de animal destinado à produção rural, ainda que abatido ou dividido em partes.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, um dos indígenas conduzidos à delegacia apresentava hematomas aparentes na região do tórax e relatou aos policiais que as lesões ocorreram durante sua captura pela equipe de Segurança Indígena.
A corporação não respondeu se abrirá uma investigação específica para apurar as agressões registradas em vídeo e compartilhadas nas redes sociais.
Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas e a Funai afirmaram repudiar “veementemente qualquer ato de violência contra povos indígenas” e disseram continuar monitorando o caso junto aos órgãos responsáveis.
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