Foto: Acervo/Funai
Indígenas dos povos Jamamadi e Apurinã, além de servidores da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), participaram do curso de Marinheiro Fluvial, ofertado pela Marinha do Brasil. Realizada entre os dias 7 e 9/4, em Boca do Acre (AM), a formação foi promovida, pela primeira vez, de forma integrada a indígenas e agentes públicos.
O treinamento teve como objetivo qualificar a navegação em atividades de proteção e vigilância territorial, ampliando a segurança dos agentes indígenas e a capacidade de atuação dos servidores em campo.
Participação indígena
Para o indígena Antônio Apurinã, da Terra Indígena Camicuã, a formação fortalece a autonomia e a segurança nas atividades de vigilância. “A qualificação para conduzir embarcações é um avanço importante para a nossa segurança e para o exercício dos nossos direitos”, afirmou.
Ao todo, foram formados 13 servidores da Funai, 02 do ICMBio e 13 indígenas de terras indígenas da região, incluindo Capana, Camicuã, Inauini/Teuini, Massekury/Kãmapa e Maracaju, além da Reserva Indígena Valparaíso. A formação contribui para o aprimoramento das ações de proteção territorial, gestão ambiental e promoção dos direitos indígenas.
Servidores públicos
A chefe da Divisão de Contratos da Coordenação Regional de Suporte (CRS) de Rio Branco, Alícya Meneses, destacou o caráter estratégico da capacitação. “O domínio da navegação fluvial amplia a capacidade de resposta da Funai em situações operacionais, especialmente em áreas de difícil acesso”, disse.
Participaram servidores lotados na Coordenação Regional Alto Purus, na CRS de Rio Branco, na Frente de Proteção Etnoambiental Envira e na Unidade Técnica Local de Boca do Acre.
Vigilância indígena
A iniciativa integra os planos de vigilância territorial do Projeto Proteção e Gestão Sustentável em Terras Indígenas (PGSTI), iniciado na TI Camicuã no fim de 2025, com a entrega de cinco embarcações. A liberação definitiva dos equipamentos estava condicionada à capacitação dos agentes indígenas pela Marinha do Brasil.
Com a conclusão do curso, as embarcações foram entregues e batizadas nas línguas dos povos beneficiados, passando a ser utilizadas nas ações de vigilância territorial.
O PGSTI é uma iniciativa do Governo Federal, executada pela Funai com apoio da cooperação alemã (KfW), voltada ao fortalecimento da gestão territorial, da vigilância e do uso sustentável dos recursos naturais em 44 terras indígenas da Amazônia Legal, com foco no protagonismo indígena.
Parcerias
A formação foi articulada pela Funai em parceria com a Marinha do Brasil, por meio da Agência Fluvial de Boca do Acre, e contou com o apoio do Núcleo de Gestão Integrada de Boca do Acre, vinculado ao ICMBio.
A ação está alinhada à Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental em Terras Indígenas (PNGati), que estabelece diretrizes para proteção, monitoramento e fiscalização ambiental em territórios indígenas.
Coordenação de Comunicação Social/Funai
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